esse EU que todos acreditam possuir é o que nos afunda na imensa ilusão de estarmos presos às nossas condições e aos nossos assassinatos culposos. enquanto ela pensa no que é e no que deseja realmente, enquanto ele tenta resolver os problemas decorrentes de desejar o que é errado e cruel, os objetos passam, a produção se debate em sua habitação de portões grandiosos de gala, com infinitos seguranças covardes.
o que está lá fora não está além de nós. o que está dentro, não está aquém, ou além. podemos ter acesso a tudo, se quisermos aniquilar toda essa podridão a qual nos condicionamos juntos, em nossas relações e produções medíocres. podemos parar de encenar um EU estático, construído por faltas e estruturas que sempre justificarão nossas produções de maneira determinante e redutiva. mas e a nossa consciência, e a nossa produção? são só personagens da realidade maior, da qual não podemos fugir?
é o que pensam a maioria. mas e se fôssemos responsáveis por nós mesmos? e se nossas produções ultrapassem os limites de uma estrutura que parece correta e verdadeira? e se abrissemos os portões, matássemos os seguranças e nos deixássemos correr e deixar correr o que há nas margens e no fora?
os seguranças não protegem o que está dentro, mas o que está fora. e é a produção indeterminada, livre e sem culpa o maior medo de quem os contrata.
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