quinta-feira, 25 de agosto de 2011

As palavras, essas safadas

(p align="justify">As palavras às vezes engolem o que temos de mais profundo e parecem nos transformar em rasos e ignorantes. Não faz pouco tempo que tento me desvencilhar desta maldita arte na crença de que ela só serve para produções acadêmicas. É o problema de levar um pouco a sério a academia: uma vez na pesquisa, as palavras nunca mais serão as mesmas. Elas passam a ter um peso, uma história, ficam além de sua própria vivência como ser humano. É complicado fazer poesia quando você precisa encontrar essas fétidas safadas e não elas a você. Quando eu tinha treze anos elas eram mais leves em seu peso – e esse só era ponderado por mim mesma. Agora são pesadas porque carregam um mundo de outras palavras e histórias em si mesmas. Sou impelida a analisá-las, e a partir daí perco alguma coisa. Elas não são mais minhas, parece sempre haver instâncias maiores que as controlam e preciso estabelecer algum tipo de acordo para usá-las.

As palavras parecem ser escravas, e cá estou, escrava delas. Assim como diversos elementos do mundo, deixaram de ser meros brinquedos pra mim. E eu conseguia fazer coisas tão bonitas e dotadas de sentido com esses pequenos brinquedos! Brinquedos que, sem me dar conta, eram carregados de mentiras e verdades em si mesmos quando os utilizava. Mas que, de algum modo, eram mais profundos em relação a este prato comedido e reprimido de palavras-conceito.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

os seguranças

esse EU que todos acreditam possuir é o que nos afunda na imensa ilusão de estarmos presos às nossas condições e aos nossos assassinatos culposos. enquanto ela pensa no que é e no que deseja realmente, enquanto ele tenta resolver os problemas decorrentes de desejar o que é errado e cruel, os objetos passam, a produção se debate em sua habitação de portões grandiosos de gala, com infinitos seguranças covardes.

o que está lá fora não está além de nós. o que está dentro, não está aquém, ou além. podemos ter acesso a tudo, se quisermos aniquilar toda essa podridão a qual nos condicionamos juntos, em nossas relações e produções medíocres. podemos parar de encenar um EU estático, construído por faltas e estruturas que sempre justificarão nossas produções de maneira determinante e redutiva. mas e a nossa consciência, e a nossa produção? são só personagens da realidade maior, da qual não podemos fugir?

é o que pensam a maioria. mas e se fôssemos responsáveis por nós mesmos? e se nossas produções ultrapassem os limites de uma estrutura que parece correta e verdadeira? e se abrissemos os portões, matássemos os seguranças e nos deixássemos correr e deixar correr o que há nas margens e no fora?


os seguranças não protegem o que está dentro, mas o que está fora. e é a produção indeterminada, livre e sem culpa o maior medo de quem os contrata.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

multiplicidade

“(…) o objeto parcial é posto em si mesmo sobre o corpo sem orgãos, tendo como sujeito não um “eu“, mas unicamente a pulsão que forma com ele a máquina desejante, e que entra em relações de conexão, de disjunção e de conjunção com outros objetos parciais no seio da multiplicidade correspondente, na qual cada elemento só pode definir-se positivamente.” (deleuze; guattari, 1972, p. 86)


esse blog é um convite às bricolagens, aos pensamentos marginais, à tentativa de ultrapassar a barreira de qualquer representação e dar lugar à realidade. chega de interpretações ou metáforas: as coisas são o que são, no momento em que são, de acordo com suas relações do instante.


bem-vindos.